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Studio ou 1 dorm no Airbnb: qual rende mais em 2026

SIDE Empreendimentos · 15/06/2026 · 14 min de leitura
Studio ou 1 dorm no Airbnb: qual rende mais em 2026

A receita do short stay brasileiro no Airbnb passou de R$ 8 bilhões em 2024 — alta de 17% ante 2023, segundo a própria plataforma — e capitais do Sul e Sudeste já registram diárias médias acima de R$ 380 em alta temporada. Entre os investidores que aportam entre R$ 400 mil e R$ 700 mil em renda imobiliária digital, a pergunta deixou de ser "vale a pena entrar no Airbnb" e passou a ser uma decisão técnica: studio compacto ou apartamento de 1 dormitório? Os dois formatos disputam o mesmo bolso e, no Litoral Norte de Santa Catarina, a diferença de retorno líquido entre eles pode chegar a 2,4 pontos percentuais ao ano — o suficiente para mudar a tese de alocação de quem está montando portfólio em renda imobiliária digital.

Cenário 2026: o short stay brasileiro em números

O mercado de hospedagem por temporada no Brasil entrou em 2026 numa fase de consolidação. Dados da AirDNA mostram que as principais praças nacionais — São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Balneário Camboriú e Salvador — concentram pouco mais de 62% das diárias vendidas pelo Airbnb e plataformas similares. A ocupação média anual nessas cidades fechou 2025 em 58%, contra 51% em 2023, com pico de 84% no verão catarinense.

O Banco Central manteve a Selic em 11,25% no primeiro semestre de 2026, depois de cortes graduais a partir de meados de 2025. O CDI líquido para pessoa física, após imposto regressivo, paga algo entre 8,8% e 9,2% ao ano. Esse é o piso contra o qual qualquer investimento imobiliário com viés de renda precisa se justificar — e o short stay é o segmento que mais promete superá-lo, mas também o que mais erra a conta na ponta do lápis.

A ABRAINC contabilizou crescimento de 9% nos lançamentos de imóveis compactos (até 45 m²) entre 2024 e 2025, com destaque para empreendimentos rotulados como "ready to rent" ou "smart living". A Secovi-SP, por sua vez, indica que mais de 40% dos lançamentos da capital paulista no último trimestre de 2025 foram studios ou unidades de 1 dormitório. A oferta dispara — e isso pressiona diárias futuras em qualquer praça que não tenha gargalo claro de demanda.

No litoral catarinense, o fenômeno é ainda mais nítido. Itajaí e Balneário Camboriú lideram o estado em VGV de novos lançamentos voltados para short stay, segundo levantamentos regionais do Sinduscon-SC. O CUB-SC subiu 6,8% em 12 meses até abril de 2026, encarecendo o custo de reposição — e blindando, em parte, quem comprou antes da virada do ciclo. A pergunta certa, portanto, não é apenas "qual rende mais", mas "qual rende mais por capital empregado dentro de uma janela regulatória e tarifária que está se estreitando".

Studio vs 1 dormitório: definição técnica e perfil de hóspede

Embora o mercado trate os termos como sinônimos, há diferenças relevantes para quem decide entre os dois. O studio é uma unidade de ambiente único, normalmente entre 22 m² e 32 m², com cozinha, sala e dormitório integrados, banheiro independente e, em geral, ausência de varanda gourmet. O apartamento de 1 dormitório possui parede divisória entre quarto e sala, área entre 38 m² e 55 m², varanda na maioria dos lançamentos litorâneos e, frequentemente, vaga de garagem própria — item que o studio costuma terceirizar em vaga rotativa ou paga à parte.

O ticket médio também muda. Em Itajaí, um studio na planta na região central ou em zonas próximas à Marina parte de R$ 380 mil e atinge R$ 520 mil em endereços premium. Já um 1 dormitório, no mesmo eixo, varia entre R$ 540 mil e R$ 780 mil. Em Balneário Camboriú, o intervalo se desloca: studios entre R$ 480 mil e R$ 720 mil; 1 dormitórios entre R$ 650 mil e R$ 980 mil — e na Barra Sul ou Praia Brava, esse teto é facilmente furado em empreendimentos de assinatura.

O perfil de hóspede separa os dois ainda mais. O studio é dominado por viagens curtas de uma a três noites, casais sem filhos, executivos em deslocamento e turistas solo. O 1 dormitório, com seu maior conforto e isolamento acústico, capta estadias de quatro noites ou mais, casais com criança pequena, pequenos grupos de amigos e o público corporativo de longa duração — segmento que paga menos por noite, mas reduz drasticamente vacância e taxa de cancelamento.

O custo de construção por m² também conta uma história relevante. Como o studio concentra todas as instalações hidráulicas e elétricas em metragem menor, seu custo por m² é tipicamente 12% a 18% superior ao de um 1 dormitório dentro do mesmo empreendimento. Para o incorporador, isso significa margem; para o investidor, significa que cada metro pago no studio carrega mais "instalação por m²" e menos "área útil de revenda" — fator que aparece na liquidez de saída.

A matemática real: o exemplo Itajaí 2026

O exercício abaixo usa parâmetros conservadores e médias de mercado da AirDNA para Itajaí e arredores (Praia Brava, Cabeçudas, Marina) referentes ao ano-base 2025, projetando 2026 com inflação implícita do IPCA e ajuste pelo INCC quando aplicável.

Cenário A — studio de 28 m² adquirido por R$ 450 mil, totalmente mobiliado e operacional, sem financiamento. Diária média projetada: R$ 285. Ocupação média anual: 62%. Receita bruta anual: R$ 64.532. Custos operacionais (gestora 20%, taxas Airbnb, IPTU, condomínio, manutenção, limpeza, energia, internet, reposição de enxoval) consomem 41% da receita bruta, deixando R$ 38.074 de receita líquida. ROI líquido anual sobre o capital total empregado (incluindo R$ 35 mil de mobília): 7,85%.

Cenário B — apartamento de 1 dormitório de 42 m² adquirido por R$ 620 mil, mobiliado, sem financiamento. Diária média projetada: R$ 395. Ocupação média anual: 58% (o ticket maior afasta alguma demanda de short stay puro). Receita bruta anual: R$ 83.598. Custos operacionais somam 38% da receita (a base de custos fixos por m² é diluída melhor). Receita líquida: R$ 51.831. ROI líquido anual sobre R$ 670 mil totais (com mobília): 7,74%.

IndicadorStudio 28 m²1 dorm 42 m²
Preço de aquisiçãoR$ 450.000R$ 620.000
Mobília + setup operacionalR$ 35.000R$ 50.000
Capital total empregadoR$ 485.000R$ 670.000
Diária média projetadaR$ 285R$ 395
Ocupação anual62%58%
RevPAR mensalR$ 5.378R$ 6.967
Receita bruta anualR$ 64.532R$ 83.598
Custos operacionais sobre receita41%38%
Receita líquida anualR$ 38.074R$ 51.831
ROI líquido sobre capital7,85%7,74%
Receita líquida por m² (mês)R$ 113R$ 103

A tabela mostra um empate técnico em ROI nominal, com leve vantagem para o studio. Mas o indicador decisivo é o último: receita líquida por metro quadrado. O studio gera 9,7% mais receita por m² operado — vantagem que se mantém em quase qualquer praça brasileira de turismo concentrado. Para o investidor que pensa em portfólio escalável, o que importa não é uma unidade, mas quantas unidades cabem dentro do mesmo cheque e qual a soma dos RevPARs no fim do ano.

Há, porém, uma camada que esses números não revelam: o comportamento do imóvel fora da hipótese de short stay. Caso o investidor seja forçado a migrar para aluguel tradicional (por regulamentação condominial, fadiga operacional ou mudança de ciclo macro), o 1 dormitório aluga por R$ 2.600 a R$ 3.100 mensais em Itajaí, contra R$ 1.700 a R$ 2.100 do studio. Em estresse de mercado, o 1 dormitório oferece um piso de proteção maior — e isso pesa numa decisão de horizonte acima de cinco anos.

Comparado ao CDI líquido na faixa de 9%, nenhum dos dois bate o piso financeiro em base puramente nominal — e essa é a parte que poucos materiais de marketing imobiliário admitem em 2026. O atrativo do short stay residencial está na composição entre renda corrente, valorização patrimonial (o FipeZap aponta alta de 11,2% em 12 meses em Balneário Camboriú até abril de 2026, e Itajaí acompanha em 9,4%) e proteção inflacionária implícita do ativo real. Sem essa segunda perna, a operação não fecha contra renda fixa.

Os custos invisíveis e a tributação que muda o jogo

O grande erro do investidor iniciante é tratar a "receita do Airbnb" como receita líquida. A planilha real começa quando se enfileiram, linha a linha, todos os vetores de erosão que separam o bruto do que de fato pinga na conta.

A gestora profissional cobra entre 15% e 25% da receita bruta — 18% é a média de mercado em Itajaí e Balneário Camboriú em 2026. Quem opera sozinho economiza essa fatia, mas paga em horas e em vacância: a curva de aprendizado para extrair preço dinâmico real do Airbnb é de seis a doze meses. A própria plataforma retém em torno de 14% a 16% por reserva, somando taxa de serviço cobrada do hóspede e do anfitrião na maioria dos modelos.

A vacância sazonal castiga especialmente o litoral. Em Itajaí e Balneário Camboriú, a ocupação de inverno (junho a agosto) raramente passa de 38%, contra 90% ou mais entre dezembro e fevereiro. O investidor que projeta o ano com base no verão se decepciona; o que projeta com base na média anual ponderada acerta o tamanho da operação e dimensiona o caixa para atravessar o inverno sem sustos.

Manutenção real, incluindo reposição de eletrodomésticos, retoques de pintura, troca de enxoval e pequenos reparos, fica em 6% a 9% da receita bruta no horizonte de cinco anos. Convenções condominiais cada vez mais restritivas — vários edifícios de Balneário Camboriú aprovaram em 2025 limitação ou proibição de locação inferior a 30 dias — viraram risco real. Antes de comprar, leitura integral da convenção e do regimento interno deixou de ser opcional: é dever de casa do mesmo nível que conferir a matrícula.

No campo tributário, três regimes disputam a otimização. Pessoa física paga IR sobre aluguel pela tabela progressiva, podendo chegar a 27,5% sobre a parcela maior da receita. MEI não se aplica a aluguel residencial. A criação de uma empresa para administração patrimonial, no regime de lucro presumido, leva a alíquota efetiva combinada (PIS, COFINS, IRPJ, CSLL) para algo entre 11,33% e 14,53% sobre a receita — vantagem expressiva acima de R$ 60 mil anuais. A holding patrimonial entra na conversa a partir de duas a três unidades operadas pela mesma família e ganha sentido sobretudo em planejamento sucessório, não no primeiro imóvel.

"O Airbnb deixou de ser arbitragem fácil. Em 2026, ele exige tese, escala e estrutura jurídica. O investidor que entra sem essas três pernas devolve quase toda a vantagem em opex e imposto." — analista de incorporação ouvido pela reportagem.

Localização, perfil do prédio e quando cada formato vence

O ativo certo na praça errada é prejuízo. A decisão entre studio e 1 dormitório, na verdade, é dependente da microlocalização e da vocação do empreendimento. Três critérios separam os bons endereços dos medianos.

Primeiro, geradores de demanda em raio caminhável. Em Itajaí, são o Complexo Portuário, a Marina, o eixo da Avenida Beira-Rio e os polos universitários. Em Balneário Camboriú, são a orla central, a Barra Sul, a Praia Brava e o entorno das torres mais altas. Imóveis a mais de 1,2 km desses polos perdem entre 14% e 22% de tarifa média, segundo cruzamentos de dados Airbnb sistematizados por consultorias locais.

Segundo, infraestrutura compatível com short stay. Recepção 24 horas, acesso por chave digital, lavanderia coletiva, academia funcional, espaço coworking e Wi-Fi de alta velocidade no contrato do prédio. Empreendimentos sem esses itens forçam o investidor a entregar tudo dentro da unidade — e o custo de mobília sobe 30% a 50% sobre o cenário com infraestrutura embutida no condomínio.

Terceiro, perfil dominante dos demais proprietários. Prédios com mais de 70% de unidades já operadas em short stay sofrem dois riscos simultâneos: canibalização tarifária (todo mundo concorre na mesma plataforma, com fotos parecidas e diárias colapsando em baixa estação) e crescente pressão por convenção restritiva, vinda dos moradores fixos minoritários. Prédios com 30% a 50% de unidades em short stay tendem ao equilíbrio ideal entre escala operacional e paz condominial.

Quando o 1 dormitório vence o studio: cidades de perfil business (São Paulo, Brasília, Curitiba), praças de turismo familiar (Gramado, Foz do Iguaçu, Porto de Galinhas), ou bairros de Itajaí e Balneário Camboriú com forte sazonalidade de inverno, onde a estadia longa salva o ano. Vence também na revenda — a liquidez de um 1 dormitório bem localizado, em qualquer cidade brasileira de mais de 200 mil habitantes, é estruturalmente superior à do studio, com tempo médio de venda 35% a 50% menor segundo séries do FipeZap.

Quando o studio vence o 1 dormitório: cidades de turismo de short break (Florianópolis Centro, Rio de Janeiro Centro, Recife Boa Viagem), praças de altíssima demanda por solo travelers e executivos (Vila Olímpia, Pinheiros), e endereços onde a metragem premium impede o 1 dormitório dentro da faixa de R$ 700 mil. Vence também no efeito portfólio: dois studios geram mais receita combinada e mais diversificação operacional do que um 1 dormitório do mesmo capital total.

Os erros que destroem o ROI antes da segunda temporada

Cinco erros aparecem em quase todos os investidores que aterrissaram no Airbnb sem tese.

O primeiro é projetar receita pela diária máxima de alta temporada. A conta correta usa RevPAR — receita por unidade disponível —, que pondera tarifa e ocupação na média do ano. Quem aceita pagar por um imóvel com base em R$ 600 a diária ignorando que o RevPAR anual será de R$ 240 paga ágio implícito de 60% sobre o valor justo do ativo.

O segundo é subestimar opex. Como visto, o custo total da operação rotineiramente atinge 35% a 45% da receita bruta. Quem trabalha com 20% mente para si próprio. A diferença entre 25% e 40% de opex muda o ROI em mais de 2 pontos percentuais — o suficiente para o investimento perder graça contra o Tesouro IPCA+ de longo prazo.

O terceiro é ignorar a regulamentação local e condominial. Em Balneário Camboriú, uma frente da prefeitura discute cadastro obrigatório para imóveis de temporada, com taxa anual e fiscalização cruzada sobre ITBI e ISS. Quem entra sem mapear essas frentes pode descobrir, com o empreendimento já entregue, que sua tese opera sob risco regulatório iminente — e o desconto sobre o valor de revenda chega na hora errada.

O quarto é desprezar o custo de oportunidade. Capital de R$ 500 mil parado em um imóvel rendendo 7% líquido, num mundo em que o CDI paga 9% líquido, exige justificativa muito clara — e essa justificativa só existe quando há valorização adicional do ativo, cobertura inflacionária e diversificação patrimonial real. A análise crua de yield, sem a perna de capital gain, não basta para sustentar a decisão diante de um portfólio de renda fixa bem montado.

O quinto é comprar na planta sem internalizar o INCC. Entre o lançamento e a entrega, um empreendimento típico em Itajaí absorve 22% a 30% de reajuste pelo Índice Nacional da Construção Civil — e o saldo devedor cresce na mesma cadência. Para quem segura o fluxo de caixa, é vantagem (compra-se R$ 450 mil de imóvel em valor presente, paga-se em parcelas corrigidas ao longo de três anos contra um ativo que tende a valorizar mais que o índice). Para quem subestima a curva, vira armadilha de tesouraria pessoal.

Conclusão

A decisão entre studio e apartamento de 1 dormitório para Airbnb em 2026 não tem resposta universal — tem resposta de tese. O studio entrega mais receita líquida por m² e cabe mais vezes dentro do mesmo cheque, ideal para o investidor que monta portfólio em capitais densas e praças de short break. O 1 dormitório oferece liquidez de revenda superior, plano B robusto em aluguel tradicional e capta demanda corporativa e familiar — perfil que faz sentido no Litoral Norte de Santa Catarina, em ciclos de juro alto e em horizontes acima de cinco anos.

Em Itajaí e Balneário Camboriú, a SIDE Empreendimentos vem estruturando lançamentos que dialogam exatamente com essa dúvida: unidades compactas com infraestrutura de short stay embutida no condomínio e plantas pensadas para flexibilidade entre temporada e moradia. Mais do que escolher o produto, o investidor que decide bem é aquele que decide com a conta na mão — RevPAR projetado, opex realista, tributação otimizada e cenário regulatório monitorado mês a mês.

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